Blog
COTIDIANO PSI
Com que máscara você vai sair hoje?

Com que máscara você vai sair hoje?

Vivemos de ilusões de nós mesmos, nos utilizamos de máscaras sociais para darmos conta da convivência em sociedade.

Reproduzimos estereótipos através dos diversos papéis que desempenhamos diariamente. Representamos o papel do que é ser mulher ou homem nos vários contextos sejam, familiares, profissionais ou nos jogos sociais.

Teatralizamos a vida na experiência cotidiana, onde moldamos nosso entendimento do que seja o agir no mundo social, a maneira como o percebemos, o descrevemos e o interpretamos em busca de adequação à condutas socialmente valorizadas, que na maioria das vezes são avessas aos sentimentos realmente vivenciados.

O objetivo dessa vivência contraditória entre sentimento e ação, é obter de nossos pares reconhecimento, aceitação e afeto. Esta dinâmica é aprendida no ambiente familiar e se expande para o mundo social a fim de satisfazer nossas necessidades. Neste jogo manipulátorio do outro, acabamos perdendo o caminho de volta para a condição originária de espontaneidade e liberdade de poder expressar o verdadeiro Eu.

Somos o resultado da interação da imagem revelada e desejada pelo outro, e a autoimagem constituída de nós mesmos.

As máscaras nos protegem das hostilidades e negociações sociais, se revelam nos gestos e atitudes, na maneira que nos vestimos, no repertório de palavras que utilizamos, independente de serem esses comportamentos positivos ou negativos, se revelam armaduras de enfrentamentos sociais.

Mas existe realização plena em não ser o que realmente somos? Sabemos quem somos? Damos conta de ser o que somos?

A busca pela autenticidade do que se é pode ser dolorosa, sendo a autenticidade um grande bem temido, que exige de nós coragem e consciência na busca do autoconhecimento para nos libertamos de nossos sentimentos aprisionados pelos ditames sociais.

Conhecer-se, é a única maneira de não se perder nos papéis que precisamos desempenhar no desenrolar de nossa existência, que não tenhamos medo de sermos taxados como loucos, por sermos o que queremos e necessitamos ser.

A realidade precisa de uma dose de fantasia para ser suportável, mas a fantasia se confundida com realidade será fonte de adoecimento emocional e conflito existencial.

Resta-nos viver a fantasia possível e necessária, sem nos perder no outro e de si mesmo.

27 / Fev / 2019
Rose Fernandes

Comente esta publicação